segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A menina do sorriso que abrandava...

A menina sorria e o menino chorava. Eu assistia àquela cena e não entendia o motivo das lágrimas de um, quiçá o sorriso da outra. A menina usava um vestidinho azul com bolinhas brancas, de godê... Sapatinhos brancos e uma pequena, rústica e simples diadema cor de rosa afixada no meio da cabeça, cingindo seus cabelinhos lisos e volumosos. O rapazinho estava de bermudinha jeans, camisetinha pólo e um tênis claro e um boné azul com verde que lembrava bem a bandeira nacional.
O que continuava me pasmando, era o fato dela sorrir pra ele e mesmo assim o infante insistir em chorar! Comecei a reparar o que se passava.
Se pudéssemos ter chegado até o local mais cedo, poderíamos perceber o que ali se passara...
O rapazinho, estava tendo um súbito amor de verão. Sonhava em ter a donzela em seus braços e amá-la? Quanta pureza, quanto ardor, quanto amor...
Vi então que ela secava as lágrimas dele vigorosamente, mas mesmo assim, continuava sorrindo para o menino. Pensei que ela deveria se comover com as lágrimas do amiguinho e chorar com ele, acreditei que ela deveria se compadecer do tal e não deixar que ele ficasse sozinho naquele momento de tanta angústia. Mas não, ela continuava a secar as lágrimas do menino e sorrir lindamente...
Me pus a pensar, será mesmo que é válido chorar junto de quem está chorando? É mais interessante tomar uma atitude diferente e tentar contornar a situação.
Eu percebi que a menina, ao invés de se apavorar e chorar junto com o amiguinho, ela sorria como se nada estivesse acontecendo e mostrando pra ele que nela ele encontraria um porto seguro!
Aquela cena me impressionou tanto, que hoje eu sinto que nada nesse mundo vale mais a pena do que um largo e sincero sorriso. O sorriso sincero é a gasolina da alma! O motor do coração e a raiz do amor...
Vamos ser a menininha do vestido azul com bolinhas brancas, vamos sorrir pra quem chora e secar as lágrimas e com elas regar o jardim das alegrias sem fim que brota dentro de nós.

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